
A mensagem (ou postagem) de hoje vai dedicada ao começo do romance Todos os nomes, de José Saramago, escritor português galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
O seu livro Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O jardineiro fiel e Cidade de Deus).
É o primeiro parágrafo apenas. Breve, para o poderem reler. Se calhar, alguns alunos vão precisar do dicionário, mas para isso é que ele esta, não é?
Ah, uma ajuda para perceberem o que é uma Conservatória e o Registo Civil :
Conservatória: é o nome que recebem, em Portugal, as repartições públicas em que são feitos registos de diversas naturezas, tais como: registo civil, registo predial, registo de automóveis, registo comercial.
Registo Civil: é o termo jurídico que designa o assentamento dos factos da vida de um indivíduo, tais como o seu nascimento, casamento, divórcio ou morte (óbito). Também são passíveis de registo civil as interdições, as tutelas, as adopções, os pactos pré-nupciais, o exercício do poder familiar a opção de nacionalidade, entre outros factos que afetam diretamente a relação jurídica entre diferentes cidadãos.
Como vêem, afinal a introdução foi mais comprida do que o "miolo", o tal parágrafo inicial de Todos os nomes. Cá está:
Por cima da moldura da porta há uma chapa metálica comprida e estreita, revestida de esmalte. Sobre um fundo branco, as letras negras dizem Conservatória Geral do Registo Civil. O esmalte está rachado e esboicelado em alguns pontos. A porta é antiga, a última camada de pintura castanha está a descascar-se, os veios da madeira, à vista, lembram uma pele estriada. Há cinco janelas na fachada. Mal se cruza o limiar, sente-se o cheiro do papel velho. É certo que não passa um dia sem que entrem papéis novos na Conservatória, dos indivíduos de sexo masculino e de sexo feminino que lá fora vão nascendo, mas o cheiro nunca chega a mudar, em primeiro lugar porque o destino de todo o papel novo, logo à saída da fábrica, é começar a envelhecer, em segundo lugar porque, maishabitualmente no papel velho, mas muitas vezes no papel novo, não passa um dia sem que se escrevam causas de falecimentos e respectivos locais e datas, cada um contribuindo com os seus cheiros próprios, nem sempre ofensivos das mucosas olfactivas, como o demonstram certos eflúvios aromáticos que de vez em quando, subtilmente, perpassam na atmosfera da Conservatória Geral e que os narizes mais finos identificam como um perfume composto de metade rosa e metade crisântemo.
(Dados sobre Saramago e notas de vocabulário: Wikipédia)
O seu livro Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O jardineiro fiel e Cidade de Deus).
É o primeiro parágrafo apenas. Breve, para o poderem reler. Se calhar, alguns alunos vão precisar do dicionário, mas para isso é que ele esta, não é?
Ah, uma ajuda para perceberem o que é uma Conservatória e o Registo Civil :
Conservatória: é o nome que recebem, em Portugal, as repartições públicas em que são feitos registos de diversas naturezas, tais como: registo civil, registo predial, registo de automóveis, registo comercial.
Registo Civil: é o termo jurídico que designa o assentamento dos factos da vida de um indivíduo, tais como o seu nascimento, casamento, divórcio ou morte (óbito). Também são passíveis de registo civil as interdições, as tutelas, as adopções, os pactos pré-nupciais, o exercício do poder familiar a opção de nacionalidade, entre outros factos que afetam diretamente a relação jurídica entre diferentes cidadãos.
Como vêem, afinal a introdução foi mais comprida do que o "miolo", o tal parágrafo inicial de Todos os nomes. Cá está:
Por cima da moldura da porta há uma chapa metálica comprida e estreita, revestida de esmalte. Sobre um fundo branco, as letras negras dizem Conservatória Geral do Registo Civil. O esmalte está rachado e esboicelado em alguns pontos. A porta é antiga, a última camada de pintura castanha está a descascar-se, os veios da madeira, à vista, lembram uma pele estriada. Há cinco janelas na fachada. Mal se cruza o limiar, sente-se o cheiro do papel velho. É certo que não passa um dia sem que entrem papéis novos na Conservatória, dos indivíduos de sexo masculino e de sexo feminino que lá fora vão nascendo, mas o cheiro nunca chega a mudar, em primeiro lugar porque o destino de todo o papel novo, logo à saída da fábrica, é começar a envelhecer, em segundo lugar porque, maishabitualmente no papel velho, mas muitas vezes no papel novo, não passa um dia sem que se escrevam causas de falecimentos e respectivos locais e datas, cada um contribuindo com os seus cheiros próprios, nem sempre ofensivos das mucosas olfactivas, como o demonstram certos eflúvios aromáticos que de vez em quando, subtilmente, perpassam na atmosfera da Conservatória Geral e que os narizes mais finos identificam como um perfume composto de metade rosa e metade crisântemo.
(Dados sobre Saramago e notas de vocabulário: Wikipédia)









