Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Todos os nomes (José Saramago)


A mensagem (ou postagem) de hoje vai dedicada ao começo do romance Todos os nomes, de José Saramago, escritor português galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O jardineiro fiel e Cidade de Deus).

É o primeiro parágrafo apenas. Breve, para o poderem reler. Se calhar, alguns alunos vão precisar do dicionário, mas para isso é que ele esta, não é?

Ah, uma ajuda para perceberem o que é uma Conservatória e o Registo Civil :

Conservatória: é o nome que recebem, em Portugal, as repartições públicas em que são feitos registos de diversas naturezas, tais como: registo civil, registo predial, registo de automóveis, registo comercial.

Registo Civil: é o termo jurídico que designa o assentamento dos factos da vida de um indivíduo, tais como o seu nascimento, casamento, divórcio ou morte (óbito). Também são passíveis de registo civil as interdições, as tutelas, as adopções, os pactos pré-nupciais, o exercício do poder familiar a opção de nacionalidade, entre outros factos que afetam diretamente a relação jurídica entre diferentes cidadãos.


Como vêem, afinal a introdução foi mais comprida do que o "miolo", o tal parágrafo inicial de Todos os nomes. Cá está:


Por cima da moldura da porta há uma chapa metálica comprida e estreita, revestida de esmalte. Sobre um fundo branco, as letras negras dizem Conservatória Geral do Registo Civil. O esmalte está rachado e esboicelado em alguns pontos. A porta é antiga, a última camada de pintura castanha está a descascar-se, os veios da madeira, à vista, lembram uma pele estriada. Há cinco janelas na fachada. Mal se cruza o limiar, sente-se o cheiro do papel velho. É certo que não passa um dia sem que entrem papéis novos na Conservatória, dos indivíduos de sexo masculino e de sexo feminino que lá fora vão nascendo, mas o cheiro nunca chega a mudar, em primeiro lugar porque o destino de todo o papel novo, logo à saída da fábrica, é começar a envelhecer, em segundo lugar porque, maishabitualmente no papel velho, mas muitas vezes no papel novo, não passa um dia sem que se escrevam causas de falecimentos e respectivos locais e datas, cada um contribuindo com os seus cheiros próprios, nem sempre ofensivos das mucosas olfactivas, como o demonstram certos eflúvios aromáticos que de vez em quando, subtilmente, perpassam na atmosfera da Conservatória Geral e que os narizes mais finos identificam como um perfume composto de metade rosa e metade crisântemo.



(Dados sobre Saramago e notas de vocabulário: Wikipédia)



Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Centro Geodésico de Portugal

Fotografia de Lurdes Biluca



Terça-feira, 23 de Junho de 2009

40 anos separam estas imagens


Pelos vistos, é igual em toda a parte, não é?


Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Ossos do ofício (Ed Arruda)

Ed Arruda

Vocês sabem o que é em espanhol gajes del oficio? Se não sabem, procurem no dicionário. É bom aprender palavras e expressões da nossa língua para falarmos melhor. Em português essa expressão diz-se ossos do ofício, que são "as dificuldades ou encargos inerentes a um ofício, profissão ou tarefa."

É evidente que este desenho do brasileiro Eduardo Arruda, intitulado mesmo assim, "Ossos do ofício", ilustra muito bem a expressão idiomática. E é claro que há nele um humor negro, necessário muitas vezes para seguir em frente nesta vida.


Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Uau! As férias grandes cá estão!!!

Fotografia de Charlotte Yours

É assim de simples, rapazes e raparigas, as férias grandes, cá estão! E esse tempo todo tem de ser preenchido com uma data de coisas interessantes para fazer, como, por exemplo, essas leituras que não puderam ser feitas no ano letivo... É uma sugestão. E não se esqueçam de que o blogue do Club de Lectura da escola não vai encerrar para férias.

Também queria recordar a todos os alunos que as redações que escreveram serão publicadas no blogue logo que me seja possível. E mais: espero ter tempo para publicar também excertos de obras em português para vocês não deixarem de ler nesta língua.


Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Elis Regina nasceu em Porto Alegre

Elis Regina
Thiago Florêncio. Projecto [cdr] / Cultura de Rua
Acrílica e Spray sobre papel jornal I 42,0 cm X 29,7cm I 2005


A grande cantora brasileira Elis Regina nasceu em Porto Alegre, capital do estado de Rio Grande do Sul, onde é a cidade de Bento Gonçalves. Recordamos que 10 alunos do seu CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica) escreveram-se, caneta e papel, nada de mails, com 10 alunos, meninos e meninas, da turma de 3º B da nossa escola.

Infelizmente a Elis morreu muito nova, já não está connosco, mas temos os discos dela para acreditar nessa maravilhosa voz que ela tinha. Depois de percorrer a discografia da cantora portoalegrense, pensando numa canção de que pudessem gostar os alunos, dei com esta. Custou a escolher. Será que gostam? Quando acabar a música, digam.

Ah, quem é esse Carlitos? É assim como é conhecida no Brasil, a personagem do vagabundo criada por Charles Chaplin. Em Portugal e na Espanha, Charlot.


O BÊBADO E A EQUILIBRISTA

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarices no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A espe...rança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar



Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O português e a Junta de Extremadura



[24/05/2009] EXTREMADURA Y LAS REGIONES PORTUGUESAS DE ALENTEJO Y CENTRO COLABORARÁN EN LA IMPLANTACIÓN DEL PORTUGUÉS COMO SEGUNDO IDIOMA

El director general de Política Educativa, Felipe Gómez Valhondo, y los directores regionales de Educación de las regiones portuguesas del Alentejo y Centro se reunirán el próximo lunes, 25 de mayo, en la sede de la Comisión de Coordinación y Desarrollo Regional de Évora, con el fin de constituir una Comisión Específica de Educación que propondrá los procedimientos de colaboración necesarios para implantar la lengua portuguesa como segundo idioma en el sistema educativo extremeño y conseguir que el conocimiento del portugués sea uno de los elementos diferenciales de la educación de los extremeños.

Con esta reunión, que se inscribe en el marco del Plan Portugal, se continúa con el trabajo que se viene realizando desde la Consejería de Educación para alcanzar este objetivo anunciado por el presidente de la Junta de Extremadura, Guillermo Fernández Vara, y que supondrá la puesta en marcha de una serie de actuaciones, acordes con el Plan Linguaex de fomento de las lenguas extranjeras que la Consejería ha comenzado a desarrollar este curso y que continuará hasta 2015.

Dichas actuaciones se centran en varios ámbitos entre los que desataca la formación del profesorado con el fin de aumentar el número de profesores preparados para impartir clases de lengua portuguesa en la región y fomentar entre el profesorado preparado su implicación en la impartición de esta lengua.

Asimismo, se abordará la puesta en marcha de programas de inmersión lingüística para alumnos mediante el intercambio entre los centros de todos los niveles educativos de las tres regiones y la ampliación de la participación conjunta en los Programas Europeos de Educación financiados por la Unión Europea.

También se prevé la creación de secciones bilingües de portugués tanto en centros de Primaria como de Secundaria de Extremadura y el intercambio de auxiliares de conversación entre las tres regiones, así como la puesta en marcha de aulas de portugués adscritas a las escuelas oficiales de idiomas en localidades menores y destinadas a jóvenes de entre 18 y 30 años.

Por último, entre las actuaciones previstas se contempla la firma de convenios entre la televisión extremeña y la portuguesa para que contribuyan a conseguir la mejora de las competencias lingüísticas en lengua portuguesa de toda la sociedad extremeña.



O tempo passa



Pois é, o menino da piscina do disco dos Nirvana é o rapazinho que vêem cá em baixo. E já terá feito mais um ou dois anitos...


Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Badajoz-Elvas-Olivença

Na Alcáçova de Badajoz

Como eram atacados os guerreiros que tentavam penetrar na Alcáçova de Badajoz?

No Forte da Graça, em Elvas

Vê-se Badajoz ao fundo?

Em Olivença, os espanhóis à sombra


Do outro lado, os húngaros ao sol

Os amigos da escola secundária Károlyi Mihály de Budapeste partiram anteontem, sábado, depois de terem estado oito dias no Montijo. Foram dias cheios com muitas actividades partilhadas com os alunos de 3º B, mais um aluno do 2º ano (aulas, mas também viagens a Mérida, Cáceres, Badajoz, etc.). Vou contar um bocadinho da actividade em que participei acompanhando a minha colega de Inglês, Pilar Alegría, encarregada do projeto de intercâmbio.

O dia 23 começou logo com uma visita às 9 h. à Alcáçova de Badajoz e foi o nosso colega de História Isaac Buzo, professor de Geografia durante dois anos na escola Károlyi Mihály, que forneceu as explicações sobre esta construção e sobre as origens da cidade de Badajoz. A visita continuou na Plaza Alta e na Plaza de España, em frente à Sé, onde os alunos ouviram mais algumas palavras sobre o aspecto defensivo da Sé e as características desta parte da cidade.

Após um intervalo de descanso, a viagem seguiu em direção a Elvas. Visitámos o Forte da Graça, e desde aquelas alturas os alunos viram Badajoz e quase que viram a Hungria... Um pequeno passeio pelo centro de Elvas, a Praça da República, e ja são horas de almoço. Bom apetite.

Voltámos para Espanha atravessando a nova ponte sobre o Guadiana. Olivença e horas de grande calor que afecta os jovens húngaros, mas que curioso, ou nem tanto, os espanhóis descansam à sombra e os húngaros ao sol. Fizemos uma visita ao Museu Etnográfico González Santana e ouvimos as explicações de um guia na igreja de Santa María do Castelo, onde o grupo todo pôde admirar, entre outras coisas, a árvore de Jessé, retábulo de madeira talhada e polícroma de 15 m de altura, uma obra rara na verdade.

Os alunos levavam vários dias de actividades e viagens, estavam cansados, e a visita a Olivença acabou na Praça de Touros da vila. Assim foi que demos por terminada a quinta-feira, 23 de abril.

Esperamos que os alunos húngaros mais as duas professoras, Eszter e Andrea, tenham tido uma boa viagem de regresso.

E, pensando em português, agora é que começam as saudades a bater. Lembram-se?



Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Ler ou reler?

Fotografia de Jennifer Zwick


Esta postagem é por causa do dia de hoje, 23 de Abril. Algures na net, alguém chamado Nelson Rodrigues escreveu isto:

Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.

O que é que vocês acham? Cá para mim, eu penso que isto é para pessoas mais velhas do que vocês. À vossa idade é preciso ler, ler muito, ler de tudo e sem preconceitos (nós dizemos prejuicios em espanhol), debicar em tudo aquilo que vos chame a atenção, tudo aquilo que seja recomendado pelos amigos... Esse dia de reler fica ainda (muito) longe para vocês!