quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Nomes e nomes brasileiros: isso é que é originalidade

Este rapaz não é brasileiro, mas... reparem no nome dele!


É incrível a imaginação dos brasileiros para os nomes que eles escolhem dar aos filhos. Leiam, leiam..

NOMES BRASILEIROS

Ninguém ultrapassa os brasileiros na descontracção, criatividade, humor e aberração com que nomeiam os seus filhos. O poeta Oswaldo de Andrade, que adorava chocar a sociedade paulista, não hesitou em dar aos seus dois filhos os nomes de Lançaperfume Rodometálico de Andrade e Rolando Pela Escada Abaixo de Andrade. Aqui há uma dúzia de anos o sociólogo brasileiro Mário Souto Maior publicou um livro no qual tinha recolhido os nomes mais ortodoxos dos seus conterrâneos. Eis alguns: Cavalo Antônio, Céu Azul do Céu Poente, Colapso Cardíaco da Silva, Cólica de Jesus, Crissopasso Compasso, Dezênio Fevereiro de Oitenta e Cinco, Dinossauro Carlos da Silva Rios, Dourado Peitudo, Doroteu Katisplaciano Silva, Dorodhovío dos Anjos, etc.....

Conta ainda o referido sociólogo que Maria de Jesus Galisa, de 21 e solteira, teve um filho a quem chamou Skylab, em homenagem ao laboratório espacial norte-americano que caiu no mesmo dia em que a criança nasceu. Como era pobre escreveu uma carta à NASA pedindo-lhe que a ajudassem a criar o seu filho, na esperança que fossem mais responsáveis que o pai dele...

Mas há mais e mais ortodoxos: Filogénio Lopes Utinguaçu, Ataulpa Atabalipa Inca Vidigal, Juca Acaiaba Dendém Paraguaçu, Grato Ladislau Bus Caramuru. Depois há também os nomes de "légua e meia", como o magnífico Benedito Frôscolo Jovino de Almeida Aimberê Militão de Sousa Baruel de Itaparica Boré Fomi de Tucunduva.

Em Belém do Pará contava-se a história de uma família da ilha do Marajó onde os pais resolveram dar aos filhos nomes terminados exclusivamente em "baldo": Ubaldo e Vilebaldo. Ao terceiro filho o pai decidiu que já eram muitos e decidiu que aquele seria o último, razão pela qual o miúdo se veio a chamar Parabaldo. Infelizmente houve mais uma gravidez imprevista e a solução foi chamar Seguebaldo à criança...

Ainda em Belém do Pará outra família deu aos filhos os nomes de Prólogo, Soneto, Ementa e, pensando que aquele seria o último, Epílogo de Campos. Contudo veio a nascer mais uma criança - uma menina: Errata de Campos. Por seu lado, Epílogo de Campos (recentemente falecido) para manter a tradição literária da família baptizou os seus filhos com os nomes sugestivos de Estrophe, Poesia, Verso e Pessoína - em homenagem a Fernando Pessoa, claro está!


MAIS NOMES BRASILEIROS

O Instituto Nacional da Previdência Social do Brasil elaborou uma lista dos nomes mais exóticos dos seus contribuintes. Aí encontramos Graciosa Rodela, Inocêncio Coitadinho Sossegado de Oliveira (será que era?), João Cara de José, Teresina Capitulina de São Valentim de Jesus do Amor Divino, Maria Passa Cantando, Restos Mortais de Catarina, Pedrinha Bonitinha de Jesus, Remédio Amargo, Naída Navinda Navolta Pereira (este é genial!), Rolando Caio da Rocha e muitos, muitos mais.

No Ceará, depois de muitos anos de matrimónio, um casal conseguiu enfim ter uma menina. Os pais ficaram tão contentes que a registaram com o nome de Formusura Perfeita Ideal do Nascimento. A menina cresceu e, infelizmente, não fez jus ao seu nome: era conhecida por Feiura Perfeita... Um jornalista do Recife contou que conheceu duas gémeas chamadas Difuntina e Finadina, primas de uma tal Filosofina. E parece que no bairro carioca de Santa Teresa há duas irmãs com os nomes de Mijardêmia e Merdanésia...

No Rio Grande do Sul existe um personagem chamado Arodir Átila Perverso Antonioni e no Paraná um certo Pedro da Ponta Fina Amolador da Ponta Grossa. Em Pernambuco há um cidadão que dá pelo nome de Gueyglysaydy Brasileiro Neto, que é irmão de Gylglascony, Graydary, Grayny, Guueythchyly e Gylrryar (a única irmã). Esta característica parece ser própria de Pernambuco, pois aí também encontrámos quatro irmãs com os nomes de Hydia, Hevylda, Henylda e Helylda, filhas de Nivaldo e Hilma Landim. Tinham mais um filho que se chamava apenas Nivaldo Junior...

É claro que é sempre possível, sendo maior, trocar de nome; mas o que dizer da infância dolorosa de quem carrega nomes como Anclotinato, Ubsclendes ou Duntalme? Há várias hipóteses. Por exemplo, há uma tribo mexicana que vive na Serra Madre Ocidental em que é tradição nomear os descendentes apenas aos 15 anos de idade. Sábio exemplo. Na altura do baptismo bastaria ao sacerdote perguntar à "criança": Como te queres chamar meu filho?

Para os mais virados para a tecnologia existe um site que ajuda os papás indecisos a encontrar um nome adequado para o seu rebento.



(Fonte: Blog Uncovering)

terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Música (A Naifa)



"Música" é uma canção do disco Canções subterrâneas (2006) da banda portuguesa A Naifa:

MÚSICA

Como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão

Como um instante único na vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma pétala dessa flor
a levantar-se do chão, como água, como pão,

Assim nasceste no meu olhar, assim te vi,
flor a florir desmedida, instante único
a levantar-se do chão, a rasgar a vida,

Assim nasceste no meu olhar, assim te amei,
vida, água, pão, raio a rasgar uma cidade secreta
a levantar-se do chão, flor a florir desmedida.





quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Isto é uma mercearia portuguesa


Vejam bem, rapazes e raparigas, isto é uma mercearia (o que estão a pensar em espanhol, "mercería", diz-se retrosaria em português; vejam a fotografia em baixo). Lembram-se deste falso amigo? Mercearias como estas vão acabando, em Portugal, e também na Espanha: os hipermercados, os centros comerciais, etc. É pena, uma grande pena.

A fotografia da mercearia achei-a no blogue do amigo Luís Pinto, Senderos da Mão Esquerda.


Artigos de retrosaria



quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Sem que soubesses (Fernando Assis Pacheco)


O grande Assis Pacheco a fazer um manguito


Custa um bocado os alunos espanhóis compreenderem o uso do Infinitivo Pessoal. Já vimos na sala de aula. Lembram-se dele? É claro que sim. O difícil é usá-lo quando se fala, não é? Dei com este poema de Fernando Assis Pacheco, jornalista, escritor, crítico e tradutor português, que conta com alguns exemplos e esse é que foi o motivo de o trazer aqui.

SEM QUE SOUBESSES

Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior
fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.

Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.

Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.




terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Eram outros tempos




Para alguém de 14 ou 15 anos, o que é uma ditadura? "Ditadura é o regime político em que o governante (ou grupo governante) não responde à lei, e/ou não tem legitimidade conferida pela escolha popular." O que hoje se publica no blogue é uma curiosidade, uma dessas coisas que só podem acontecer numa ditadura.

Até 1974 os territórios de Angola (1 246 700Km²), Moçambique (784 090 km²), Cabo Verde (4. 33 Km²), S. Tome e Príncipe (964 km²), Guiné-Bisssau (36 125 km²), Macau (28,6 km²), reparem, faziam parte de Portugal. Para os Portugueses todos, a começar pelos mais novos na escola, a ditadura  portuguesa propiciou a elaboração de um mapa de Portugal com a superfície do país mais a de todas aquelas colónias. Estão a ver lá em cima. Assim, Portugal não era um país pequeno, mas tão grande quanto essa imagem demonstrava. Se não me lembro mal, as escolas portuguesas dos anos 60 do passado século tinham um mapa destes.

O que acham? O texto lá em baixo aparece por baixo da imagem no livro referido de Amorim Girão. E reparem, "Portugal-Império". A ditadura espanhola de Francisco Franco também gostava de falar do Império Espanhol. Coisas de ditadores, coitados.

"A nossa Fig. 208 mostra como Portugal estaria para a Europa, se à superfície da Metrópole acrescentássemos a das Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas. E as vantagens de ordem geográfica que nos apresenta no seu conjunto o Ultramar Português não resultam apenas da sua distribuição e extensão: resultam ainda da diversidade de condições de solo e clima das partes que o constituem, bem susceptíveis de formar um todo económico, como formam um todo político."


(Geografia de Portugal, de Amorim Girão, Portucalense Editora, Porto, 1960)


NB. O mapa e o texto de Amorim Girão, sem a introdução de hoje, já foram publicados por mim em Lusofolia, o blogue da APPEX (Asociación del Profesorado de Portugués de Extremadura).





segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Por culpa de alguém...



Ainda podemos ler isto em alguns bares portugueses.

Por culpa de alguém não se fia a ninguém.


As palavras italianas que podem ler em cima significam a mesma coisa.

 

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Quadrinhos para o Perfeito Simples



O brasileiro stêvz já veio a este blogue. Ei-lo mais uma vez para rever de um jeito diferente o Perfeito Simples.

Vá lá, digam-me lá "um pouco do que aconteceu" nos vossos últimos dias...



terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Já dissemos que ler é bom?



Fernando Assis Pacheco (1937-1995) foi um jornalista, crítico, tradutor e escritor português. Ele tinha um avô galego, e é por isso que ele se sentia muito ligado à Galiza e também a tudo que fosse espanhol. Inspirando-se em alguns factos da vida do seu avô escreveu um romance intitulado Trabalhos e paixões de Benito Prada.

Vejam como o protagonista, Benito, quando ainda era um rapaz, e não estando na escola, "gostava (...) de ler tudo o que apanhava à mão". Como já tenho dito muitas vezes na sala de aula, ler é bom e não tem contra-indicações.


Benito, que passara a salto de moita pela escola, gostava não obstante de ler tudo o que apanhava à mão. Com excepção dos livros do tio Ruperto, prometidos para mais tarde, em casa o que havia era almanaques, um par de romances trágicos e alguns números soltos.



sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

As estações do ano de antigamente



Reparem que termos quatro estações do ano, Primavera, Verão, etc., nem sempre foi assim. Leiam, leiam..



Inicialmente o ano era dividido em duas partes, a saber:

* O período quente (em latim: "ver"): era dividido em três fases: o Prima Vera (literalmente "primeiro verão"), de temperatura e humidade moderadas, o Tempus Veranus (literalmente "tempo da frutificação"), de temperatura e humidade elevadas, e o Æstivum (em português traduzido como "estio"), de temperatura elevada e baixa humidade.

* O período frio (em latim: "hiems") era dividido em apenas duas fases: o Tempus Autumnus (literalmente "tempo do ocaso"), em que as temperaturas entram em declínio gradual, e o Tempus Hibernus, a época mais fria do ano, marcada pela neve e ausência de fertilidade.

Posteriormente, para ajustar as estações à posição exata dos equinócios e solstícios, correlacionando-as com a influência da translação associada à mudanca no eixo de inclinação da Terra, convencionou-se, no Ocidente, dividir o ano em somente quatro estações. Vale a pena lembrar que certas culturas ainda dividem o ano em cinco estações, como a China. Países como a Índia dividem o ano em apenas três estações: uma estação quente, uma estação fria e uma estação chuvosa. Já no continente Africano, países como Angola só têm duas estações, a das chuvas, quente e úmida, e o cacimbo, seca e ligeiramente mais fresca, principalmente à noite.

(Fonte: Wikipédia)



quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

É diabolo também


Como é que ele faz? Quatro diabolos ao mesmo tempo!


Falando de piões na sala de aula, uma aluna perguntou como é que se dizia "diabolo" em português. Confessei que não fazia ideia. Seria igual? Olha aí, é diabolo também!

Diabolo é um brinquedo antigo originario da China, muito famoso em todo o mundo, a evolução do ioiô chinês. Ele é composto por duas semi-esferas unidas invertidas que devem ser movimentadas e equilibradas por um cordão acionado por duas baquetas. Com o diabolo, um jogador experiente consegue fazer centenas de manobras.

Os malabarismos baseiam-se no princípio físico da Quantidade de movimento angular . O jogo consiste em fazer girar esse objeto sobre si mesmo impulsionando-o com a corda amarrada a dois bastões de madeira. O lado do movimento depende da mão dominante, direita ou esquerda.

Os diabolos podem ser feitos de vários materiais diferentes, originalmente madeira, metal ou plásticos, sendo que os maiores e mais pesados tendem a ficar mais tempo girando e os mais leves podem ser arremessados mais alto e girar mais rápido.

Existem controvérsias sobre a origem do nome, que pode provir de "diaballo", movimento, do italiano diavolo, ou do grego dia bolo, significando tirar diagonalmente

(Fonte: Wikipédia)